
RESPOSTA DIRETA
SIP (Session Initiation Protocol) é o protocolo que abre, altera e encerra as chamadas na telefonia IP: é ele que faz o seu telefone e a central se acharem e combinarem a ligação. SIP/2.0 é a versão em uso desde 2002 — por isso ela aparece escrita em toda mensagem trocada entre o aparelho e o servidor. E um detalhe que resolve metade dos problemas de áudio: o SIP não carrega a voz. Quem faz isso é outro protocolo, o RTP.
Quando você vê SIP/2.0 no display, num log do PABX-IP ou numa captura de rede, está vendo a versão do protocolo — do mesmo jeito que uma página web trafega em "HTTP/1.1". A versão 2.0 do SIP foi publicada em 2002 na RFC 3261 e é a que todo equipamento atual usa. Não existe "SIP 3.0" no mercado: se o seu telefone, gateway ou central fala SIP, fala SIP/2.0. Ou seja — procurar por "SIP 2.0" é procurar por SIP.
Isso também quer dizer que a compatibilidade entre marcas é a regra, não a exceção: um telefone Grandstream registra num Asterisk, um Yealink registra num FreePBX e um Intelbras registra numa UCM. A ficha do GXP1610 declara "SIP RFC 3261"; a do TIP 125i declara "SIP (1 conta)". É o mesmo idioma.
Esta é a parte que mais gera chamado de suporte. O SIP é sinalização: ele negocia quem liga para quem, qual codec será usado e por qual endereço a voz vai passar. Combinado isso, ele sai de cena e o áudio trafega em RTP (Real-time Transport Protocol), num par de portas completamente diferente.
A consequência prática: se o SIP passa pelo firewall e o RTP não, a chamada completa e ninguém ouve nada — ou só um dos lados ouve (o famoso áudio unidirecional). O telefone toca, o display mostra a ligação em curso, o cronômetro corre, e o silêncio é total. Nesse cenário, não adianta mexer no ramal: o problema está na rede, quase sempre em NAT, em regra de firewall ou no "SIP ALG" do roteador.
Quando a voz é criptografada, o par muda de nome mas a lógica é a mesma: o SIP viaja em TLS e o áudio em SRTP. A ficha do TIP 125i é explícita: SRTP "requer SIP em TLS".
O vocabulário do SIP é curto e vale conhecer, porque é ele que aparece nos logs:
As respostas são números, herdados do mesmo padrão da web:
| Código | O que quer dizer | O que costuma ser |
|---|---|---|
| 100 / 180 / 183 | Tentando, tocando, com progresso | Normal — a chamada está em andamento |
| 200 OK | Aceito | Registro ou chamada bem-sucedidos |
| 401 / 407 | Precisa de autenticação | Usuário ou senha do ramal errados |
| 403 Forbidden | Recusado | Ramal existe, mas a central negou (IP, senha ou permissão) |
| 404 Not Found | Não existe | Número discado fora do plano de discagem |
| 408 / 480 | Sem resposta / indisponível | Ramal não registrado ou rede sem caminho de volta |
| 486 Busy Here | Ocupado | Destino em outra chamada |
| 503 Service Unavailable | Serviço indisponível | Tronco fora do ar ou central sem recurso |
Na prática, configurar um telefone IP é preencher os campos que o SIP exige — e eles são os mesmos em qualquer marca:
Cada conjunto desses é uma conta SIP. Aparelhos de entrada aceitam uma ou duas contas; modelos de recepção aceitam várias, o que permite atender ramais diferentes no mesmo telefone. A comparação prática entre um de 1 conta e um de 2 está em TIP 125i ou GXP1610.
VoIP é o conceito — voz trafegando por rede de dados. SIP é o protocolo que a indústria escolheu para organizar essa conversa. Telefonia IP é o serviço montado em cima disso: ramais, troncos, filas, URA. Dá para ter VoIP sem SIP (existem outros protocolos, como o H.323, hoje raro), mas não é o que você vai encontrar num equipamento novo. Se o assunto é o conceito maior, comece por o que é VoIP.
Tronco SIP é a ligação entre a sua central e a operadora, falando o mesmo protocolo. Em vez de linhas analógicas ou um E1 físico, a central registra (ou é autorizada por IP) num provedor e passa a receber e originar chamadas pela internet. É o mesmo SIP do ramal, só que entre sistemas em vez de entre telefone e central. Equipamento analógico antigo entra nessa história por um ATA ou gateway — o caminho está em ATA na prática.
Não. SIP/2.0 é a versão do protocolo SIP em uso desde 2002 (RFC 3261) — é o que todo equipamento atual fala. Quando um datasheet escreve "SIP 2.0", está dizendo apenas "SIP".
5060 é a porta padrão para SIP em UDP e TCP, e 5061 para SIP sobre TLS. Mas a voz não passa por essas portas: ela vai em RTP, num intervalo de portas separado que a central define.
Porque a sinalização (SIP) passou e a mídia (RTP) não. Investigue NAT, regras de firewall e a função "SIP ALG" do roteador — desligar o SIP ALG resolve boa parte dos casos.
Na prática, sim: todo telefone IP de catálogo hoje registra por SIP numa central ou num provedor. Sem uma conta SIP configurada, o aparelho não faz nem recebe chamadas.
Funciona — Asterisk, FreePBX, Issabel e as centrais de fabricante falam SIP padrão. O que muda entre elas é o driver usado (o PJSIP substituiu o antigo chan_sip nas versões atuais) e a porta ou o transporte configurado.
O SIP puro trafega em texto claro. Para proteger, use SIP em TLS (porta 5061) com a mídia em SRTP — os dois aparecem nas fichas dos telefones profissionais. Também vale manter a central atualizada: falhas críticas aparecem e são corrigidas por versão.
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